Falando em saúde

14 mar Obesidade Infantil

A obesidade é a nova praga no Brasil, sendo a doença crônica que  mais cresce no mundo e tornando-se preocupação premente nas políticas de Saúde Pública. Estudos epidemiológicos mostram que, desde a década de 1970, o número de crianças brasileiras com sobrepeso triplicou e, atualmente, existem mais crianças com excesso de peso do que desnutridas. O cenário é preocupante, a prevalência de obesidade infantil vem aumentando de tal forma no Brasil que o país acompanha o caminho dos Estados Unidos, o país mais obeso do mundo.

“O ambiente obesogênico  tem favorecido um estado persistente de balanço energético positivo ao longo dos anos, responsável pelo ganho de peso gradual na população adulta e infantil. Como consequência da manutenção do estado de sobrepeso e obesidade, temos visto crianças e adolescentes desenvolvendo doenças crônicas antes vistas apenas no adultos, como por exemplo, dislipidemias (colesterol elevado), hipertensão arterial, diabetes tipo 2, irregularidade menstrual, problemas hepáticos (gordura no fígado), entre outras, tão ou mais graves que estas doenças”, explicou Marcela Barbosa, endocrinologista.

Hoje em dia, crianças brasileiras estão urbanas, sem espaço para atividades físicas, gastando a maior parte do tempo no “sedentarismo”. Os fast-foods disseminados por toda parte, investem em grandes campanhas publicitárias , tornando-se vilões para a saúde das crianças. Outros fatores que contribuem com o aumento de peso são: ganho de peso corporal acelerado na gestação; desmame precoce associado à introdução de fórmulas lácteas inadequadas; aumento do consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras saturadas; excesso de alimentação noturna e pais obesos.

A presença de obesidade nos pais é um importante fator de risco no desenvolvimento precoce da obesidade em crianças. Os especialistas afirmam: mães obesas apresentam dez vezes mais probabilidade de ter filhos obesos. Entre pais e filhos, a probabilidade é seis vezes maior. Pesquisadores acreditam que o vínculo não é de ordem genética, mas comportamental. 

Pesquisas revelam que crianças e adolescentes filhos de mães com sobrepeso têm 3,8 vezes mais chance de desenvolver a obesidade. Quando ambos os pais estão acima do peso, a probabilidade é seis vezes maior. Os estudos também apontam que adolescentes com mães ou ambos os pais envolvidos em atividades esportivas apresentaram maior predisposição à pratica de esportes. Ou seja, pais que possuem hábitos de vida saudáveis tendem a ter filhos com bons hábitos de vida.

Ainda segundo a endocrinologista, os pais devem afastar o açúcar das crianças. “Não adoce alimentos como leite nem sucos. Além de desnecessário, é prejudicial; Ofereça novos alimentos mais de uma vez. Combine com a criança para que ela experimente o alimento pelo menos 10 vezes antes de decidir que não gosta. É normal a criança não gostar de um ou outro alimento, mas não aceite que a criança rejeite um grupo inteiro de alimentos. Criança que não come nenhuma fruta ou nenhum tipo de salada precisa de reeducação alimentar. Evite doces como sobremesas. Prefira frutas. Além disso, a sobremesa nunca deve ser oferecida como um prêmio. Doces devem ser consumidos apenas nos finais de semana. E, mesmo assim, moderadamente”, disse Marcela.

É importante estimular atividades físicas regulares como brincar no parque, andar de bicicleta, jogar bola com os amigos, dança e coisas que façam a criança movimentar-se para crescer saudável, no peso indicado para sua idade.