Pernambuco passa a integrar o seleto grupo de estados brasileiros que realizam cirurgia cardíaca robótica, um avanço que representa uma nova fase para a cardiologia e amplia o acesso dos pacientes a procedimentos menos invasivos e de alta precisão. A tecnologia, utilizada nos principais centros médicos do mundo, permite tratar diversas doenças cardíacas com menor trauma cirúrgico, menos dor no pós-operatório e recuperação potencialmente mais rápida.
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), elas respondem por cerca de 400 mil óbitos por ano, sendo a doença arterial coronariana uma das principais responsáveis por esses números. Nesse contexto, a incorporação da cirurgia robótica representa um importante avanço para pacientes que necessitam de tratamento cirúrgico.
O cirurgião cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (RICCA), Dr. João Paulo II, especialista em cirurgia cardíaca robótica e responsável pela primeira cirurgia cardíaca robótica realizada em Pernambuco, explica que a plataforma robótica não se limita a um único tipo de procedimento. Ela pode ser empregada no tratamento de diferentes patologias, como doenças coronarianas com indicação de revascularização do miocárdio, doenças das válvulas cardíacas, tumores intracardíacos, cardiopatias estruturais e, em casos selecionados, procedimentos híbridos associados à cardiologia intervencionista.
“A cirurgia robótica não é importante apenas por ser uma tecnologia de ponta. Ela muda a experiência do paciente. Conseguimos realizar procedimentos complexos por pequenas incisões, preservando a estrutura do tórax, reduzindo o trauma cirúrgico e proporcionando uma recuperação mais rápida e confortável”, destaca o médico do Real Hospital Português, em Recife.
Na técnica robótica, o cirurgião opera a partir de um console que controla braços robóticos com movimentos de alta precisão e visão tridimensional ampliada. O sistema elimina tremores naturais das mãos e permite acesso a regiões delicadas do coração com mais estabilidade e segurança. Apesar do auxílio tecnológico, todas as decisões e movimentos continuam sendo comandados exclusivamente pelo cirurgião.
Entre os principais benefícios para os pacientes estão a redução da dor no pós-operatório, menor sangramento, menor risco de infecção, diminuição do tempo de internação e retorno mais precoce às atividades diárias. Em alguns casos, a permanência hospitalar pode ser reduzida pela metade quando comparada à cirurgia convencional.
Para o Dr. João Paulo, a chegada da cirurgia cardíaca robótica representa um marco para a medicina pernambucana. “Durante muitos anos, pacientes precisavam se deslocar para outros estados em busca dessa tecnologia. Hoje, Pernambuco passa a oferecer um tratamento com padrão internacional, realizado por uma equipe capacitada e preparada para utilizar essa plataforma em benefício dos nossos pacientes”, afirma.
A primeira cirurgia cardíaca robótica realizada no estado aconteceu no Real Hospital Português e foi indicada para o tratamento de um tumor intracardíaco, demonstrando a versatilidade da plataforma e abrindo caminho para a ampliação do uso da técnica em diferentes doenças cardiovasculares. O procedimento consolida Pernambuco como referência em inovação na cirurgia cardíaca e amplia o acesso da população a uma medicina cada vez mais segura, precisa e menos invasiva.